‘Foco’, ‘flow’, ‘atenção plena’ e ‘meditação’: entenda 4 conceitos ligados à capacidade de se concentrar

 ‘Foco’, ‘flow’, ‘atenção plena’ e ‘meditação’: entenda 4 conceitos ligados à capacidade de se concentrar

Em teoria, seriam oito horas de trabalho, oito horas para dormir e oito horas para lazer. Mas, como sabemos, a rotina tradicional, previsível, equilibrada e pacífica não é um benefício de todos. Junto a isso a interrupção constante gerada por notificações de celular e as muitas distrações que chegam pelo WhatsApp ou aparecem nas timelines das redes sociais. Não é uma época muito favorável para conseguir foco, concentração.

Diante disso, alguns começaram a tentar entender o mecanismo por trás da atenção. Fala-se de “foco”, “flow”, “atenção plena” e “meditação”, conceitos que se interrelacionam e explicam o que constitui um fluxo de pensamento com menos interrupções.

⬇️ Foco

“O foco depende de uma série de coisas, incluindo as estimulações presentes no ambiente externo, e também como estão os nossos pensamentos e as nossas distrações internas”, diz Elisa Kozasa, neurocientista do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein.

“É como se o cérebro dedicasse toda a maquinaria dele para cumprir uma tarefa”, explica Daniel Martins-de-Souza, biólogo e neurocientista do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Foco é o ponto central da atenção, diz ele. A palavra vem do latim “fogo”, “luz”.

⬇️ Flow

É um estado de concentração total criativa, “sem esforço”. É quando a pessoa passa um significativo espaço de tempo (de minutos a horas até) praticando alguma atividade (de jogar xadrez a ler um livro) e a impressão que se tem na sequência é de tudo ter passado rápido, “sem perceber”.

Se o foco é uma habilidade que pode ser desenvolvida, o “flow” é dominar a atividade e sentir prazer.

É um conceito do psicólogo croata Mihaly Csikszentmihalyi.

⬇️ Atenção plena

A atenção plena é estar com o foco no “aqui e agora”. É comer um alimento sentindo realmente o sabor, a respiração, buscar a redução da ansiedade.

De acordo com Elisa Kozasa, é um termo que surge primeiro entre budistas como sati (manter em mente o objeto da sua atenção). Depois, em inglês, é mindfulness — até chegar ao português.

“A atenção plena é um estado de consciência. É estar no presente. É uma técnica usada muito para tentar aterrissar as pessoas que ficam no futuro, as ansiosas”, explica a neuropsicóloga Milena Fernandes Mata, pós-graduada pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq/HC).

⬇️ Meditação

Uma pessoa que consegue meditar pode estar em atenção plena, mas a atenção plena não precisa estar relacionada à prática meditativa. A meditação busca o foco em um determinado pensamento, parte ou função do corpo em próprio benefício.

“Quando se fala em meditar, tradicionalmente, é uma prática que deve te levar a um maior nível de discernimento. Que faz com que você tenha “julgamentos”, na verdade, prefiro o termo “decisões” mais acertadas, decisões mais claras, decisões mais benéficas para a sua vida e para a vida das pessoas”, explica Kozasa.

Multitarefa

Maior produtividade não é sinônimo de melhor produtividade, diz Rogerio Panizzutti, médico psiquiatra e professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo ele, o ser humano consegue ser multitarefa, mas cada atividade vai ficar prejudicada. O desempenho diminui, portanto.

“O nosso cérebro não consegue processar todos os estímulos do ambiente. Existem mecanismos cerebrais que permitem que a gente concentre a nossa atenção, seja em uma coisa que a gente está assistindo, seja em algo que a gente está ouvindo, seja no cheiro, seja no conjunto disso tudo.”

“Você aumenta a quantidade de coisas produzidas, só que cada uma delas vai estar com a qualidade pior em comparação com quando feitas separadamente. Multitarefas, apesar das gerações mais novas gostarem, sempre pioram o desempenho”.

Existem aplicativos, vídeos, áudios de podcast para meditação guiada e atenção plena. Mas é importante lembrar de reduzir os estímulos para iniciar a atividade concentrado. Kozasa, do Albert Einstein, sugere que existem treinamentos cognitivos com a ajuda de jogos computadorizados com “evidências de que eles realmente ajudam a desenvolver a atenção”.

O que pode estar atrapalhando?

Em primeiro lugar, obviamente, o excesso de estímulos pode prejudicar o foco. No entanto, os médicos explicam que é comum alguém não conseguir se concentrar mesmo em ambientes controlados, silenciosos e sem a interferência externa.

Na pandemia, a ansiedade e depressão são doenças mais frequentes e que diminuem o foco. E, segundo a especialista do Albert Einstein, “as coisas que são importantes realmente chamam a nossa atenção por uma questão de sobrevivência”.

“Se eu estiver falando de pandemia e eu não prestar atenção, a minha vida está em risco. Mas, se eu tenho que trabalhar, produzir alguma coisa, a primeira coisa é entender como funciona minha mente. Eu vou evitar de entrar na internet, ligar a TV, já que eu vou me concentrar para fazer o meu trabalho.”

Segundo a neurocientista, uma pesquisa científica foi feita dentro do Instituto do Cérebro para medir as emoções entre pessoas que assistiam às noticias positivas e às negativas. Os resultados, de acordo com ela, apontaram uma mudança dos sentimentos após um acontecimento ruim na televisão ou jornal, o que consequentemente prejudica a concentração.

“As emoções são bastante importantes porque elas dão um colorido para uma informação. Uma informação que tem uma intensidade emocional vai ativar uma área do nosso cérebro que se chama amígdala, que vai fazer que a gente preste mais atenção para esse estímulo”.

Também existem condições clínicas já conhecidas que precisam ser diagnosticadas, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): “Esse é um ponto bastante discutido principalmente na área de educação, uma vez que é um fator que se não for tratado pode dificultar muito a vida escolar de uma criança ou de um adolescente”, afirma Kozasa.

Além disso tudo, há, ainda, o que nos leva ao “flow”: é mais fácil se concentrar em atividades prazerosas.

“Isso nos faz lembrar o quão relevante é nós escolhemos atividades, e em especial as profissionais, que nos dão prazer. Muito do que a gente percebe em burnout, ou em um estresse além da conta, está, de repente, em você estar numa atividade profissional em você não tem uma afinidade, em que não existe o reconhecimento, em que você não se sente produtivo”, finaliza.

Por G1

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