Assim como Simone Biles, é preciso saber quando parar em prol da saúde mental

 Assim como Simone Biles, é preciso saber quando parar em prol da saúde mental
Por Thaís Fávaro

A pandemia do coronavírus, o medo de adoecer, a pressão por bons resultados e a obrigação de voltar para casa com uma medalha pendurada no pescoço. Esses são alguns dos motivos que podem ter levado a ginasta americana, Simone Biles, a desistir das Olimpíadas de Tóquio para cuidar da sua saúde mental.
Vencedora de vinte e cinco medalhas em campeonatos mundiais, sendo dezenove delas de ouro, Simone era apontada como favorita e tinha sua medalha dada como certa na ‘Terra do Sol Nascente’.
A notícia pegou todos de surpresa, mas a verdade é que além dela, outros atletas também relataram problemas de saúde mental na preparação para o campeonato. Como é o caso do astro do tênis japonês Naomi Osaka, que acendeu a pira na abertura e acabou desistindo de duas competições importantes antes dos Jogos Olímpicos.
Mas afinal, o que leva profissionais que são preparados durante anos para lidarem com os eventos mais adversos possíveis e que necessitam de muito preparo físico, a desistirem de algo de extrema importância para o universo deles?

Primeiro temos que entender que, por mais que pareçam super-heróis, os atletas não possuem superpoderes e, assim como todo ser humano, estão suscetíveis a serem atingidos por uma onda de sobrecarga mental.

Segundo pesquisa do instituto Ipsos, a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado no mundo, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial e cedida à BBC News Brasil, 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano, principalmente devido a pandemia do coronavírus. Essa porcentagem só é maior em quatro países: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%).

A pandemia por si só causou uma devastação, tanto no número de mortes causadas por complicações da doença, quanto no alto índice de desemprego, instabilidade financeira, evasão escolar, o crescente número de violência doméstica e de todo tipo de abuso que ocorreu durante o isolamento social imposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como medida de biossegurança para tentar barrar a contaminação em massa.

Estamos a cerca de 1 ano e meio tendo que conviver com um misto de sentimentos e entre eles, o medo. Medo de perder as pessoas que amamos, de perder o emprego, de perder oportunidades, de não conseguir voltar ao normal e até mesmo medo de perder uma competição e ter que encarar o julgamento de um país todo ao voltar para casa sem a medalha.
O medo é um sentimento importante. É ele que nos faz olhar para os dois lados ao atravessar a rua, que nos faz usar luvas na cozinha para não se queimar ao segurar a panela quente e é ele quem nos faz usar máscara e passar álcool em gel nas mãos.

Mas é importante saber até onde o medo é ‘saudável’ e até onde ele nos paralisa. OI excesso desse sentimento pode desencadear uma síndrome do pânico, transtorno de ansiedade e depressão. Estar atento a si mesmo e identificar os primeiros sinais de que a saúde mental está afetada é importante para sabermos a hora de procurar ajuda.
Atualmente o Brasil é o país líder no número de pessoas que sofrem de algum tipo de transtorno relacionado a saúde mental, principalmente a ansiedade.
É importante se atentar a sinais como: pensamentos negativos, sofrimento antecipado, perda de apetite, memória fraca, insônia, variações de humor, perfeccionismo, entre outros.
Apesar da terapia estar fora da realidade de grande parte dos brasileiros, o serviço acabou ficando um pouco mais acessível desde o ano passado para cá. Muitos psicólogos e terapeutas diminuíram o valor cobrado nas sessões isso também permitiu que mais pessoas procuraram os serviços, mas a realidade ainda está muito distante da ideal e milhares de pessoas não conseguem ter acesso a esse tipo de atendimento.

Outro fator que facilitou a busca por ajuda profissional foram as sessões on-line de terapia. Uma startup que promove terapia on-line registrou um aumento de 600% no número de pessoas que procuraram os serviços para cuidarem da saúde mental neste ano.
Por outro lado, muitas pessoas conseguiram iniciar um tratamento por meio do ambiente de trabalho. Segundo uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA), 75% das empresas no Brasil também se preocuparam e desenvolveram iniciativas para cuidar da saúde mental dos colaboradores.
Apesar de parecer que ainda estamos muito distantes de voltar a ter uma vida normal, nós já podemos ter esperança com o avanço da vacinação contra a covid-19 e com o retorno gradual das atividades do dia a dia. Atualmente cerca de 100 milhões de brasileiros já foram vacinados com a 1ª dose do imunizante contra a Covid-19. Isso equivale a 47,26% da população.

Só nos resta cuidar ao máximo da nossa saúde e isso vai além dos cuidados ‘físicos’ durante a pandemia. Devemos saber quando é hora de seguir, de descansar, ou até mesmo de desistir de algo que nos coloque em risco, emocional ou físico.

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Roger - Mais Que Fato

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