Como falar de morte com uma criança

 Como falar de morte com uma criança

Quando alguém próximo a uma criança falece, é necessário tomar alguns cuidados ao tratar do tema com ela

Quando ela vem, ninguém está preparado. A morte de alguém próximo e querido é uma dor que mistura muitos sentimentos: a tristeza de nunca mais ter contato com aquela pessoa, o medo de que aquilo represente solidão, o arrependimento do carinho não demonstrado em vida? Quando se trata da cabeça de uma criança, toda essa turbulência de pensamentos é processada de forma diferente. Por isso, dar a notícia a elas é uma missão difícil.

Entre os maiores desafios desta conversa está fazer com que a criança entenda o que aconteceu, mas que isso não seja um trauma que afete seu desenvolvimento. E isso não é nada fácil, já que deve ser feito em um momento que os pais também estão sensibilizados, tristes e até perdidos.

“Normalmente a pessoa que dá a notícia também estará emocionada e não há problema externalizar a dor e chorar na frente dela – pode até ser positivo”, explica a psicóloga Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Já entre os cinco e os nove anos, quando estão mais maduros, já entendem que a morte significa se separar para sempre. E isso causa muita ansiedade. O medo da separação e de ficar desprotegido pode fazer com que a preocupação com a morte seja excessiva, mesmo quando ele nem está próximo. Por isso, é comum que façam muitas perguntas sobre esse tema.

A partir dos 9 anos eles entendem a morte de uma forma mais próxima à dos adultos. No entanto, a curiosidade sobre isso pode aproximá-los de uma abordagem curiosa, como em filmes e jogos. E isso faz com que elas também tenham essa noção distorcida.

NÃO PARE AGORA… TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE 😉

A morte nem sempre vem de repente. Algumas doenças vão evoluindo aos poucos, quando as chances de sobrevivência ficam menores. Quando isso acontece com um parente próximo, ninguém espera e nem quer que ele chegue a falecer. No entanto, se o vínculo com a criança é grande, é importante aproveitar o período para introduzir o tema com ela.

“O ideal é não deixar ficar tão perto assim da morte para inseri-la. Conforme a família vivencia essa angústia, conforme o assunto se consolida, é possível – em doses compatíveis com a idade e maturidade da criança – inserir o assunto”, explica Rita.

Caso a família tenha alguma religião, ela pode ser um artifício para explicar o que é a morte. Em geral, as religiões tratam do tema de forma corriqueira, o que pode familiarizar a criança com isso.

NÃO PARE AGORA… TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE 😉

Seja depois de um acidente de carro ou de uma doença que já deixava alguém em estado vegetativo, a morte de uma pessoa querida nunca é uma notícia fácil de receber. Repassá-la também não é nada simples.

O cuidado geralmente é pedido quando se vai dar a notícia a quem já está debilitado e pode sofrer muito se tiver um choque repentino. No entanto, as crianças também podem ter problemas futuros se a abordagem não for positiva.

De preferência, quem comunica a uma criança que um ente querido morreu deve ser uma pessoa próxima que já tenha sua confiança. Se ela já estiver ciente que a morte era iminente, no caso de um problema de saúde, por exemplo, a psicóloga recomenda usar a linguagem mais clara possível, sem rodeios. No caso de mortes repentinas, criar este ambiente para chegar ao ponto é importante.

NÃO PARE AGORA… TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE 😉

Quando algo não vai bem

Receber a notícia de uma morte próxima vai deixar a criança triste, já que a tristeza é um sentimento natural que não deve ser contido, ainda mais diante de uma perda importante. No entanto, a psicóloga listou alguns sinais de alerta que indicam que a criança não está lidando bem com o luto:

  • alterações na alimentação (para mais ou para menos)
  • insônia ou excesso de sono
  • enurese (perder controle do xixi depois de já ter aprendido a controlar)
  • irritabilidade, agitação
  • isolamento social
  • agressividade
  • queda no rendimento escolar, concentração, desempenho, notas
  • pesadelos frequentes
  • apego excessivo aos pais, ansiedade de separação dos entes que ama
  • discurso obsessivo sobre o assunto
  • sensibilidade, choro frequentes, angústia.

Notícias relacionadas