Coronavírus: o que se sabe sobre remédios e tratamentos da Covid-19

 Coronavírus: o que se sabe sobre remédios e tratamentos da Covid-19

GUAGZHOU, CHINA – JANUARY 22: Citizens wear masks to defend against new viruses on January 22,2020 in Guangzhou, China.The 2019 new coronavirus, known as “2019-nCoV”, was discovered in Wuhan virus pneumonia cases in 2019, and the virus was transmitted from person to person. Currently, confirmed cases have been received in various parts of the world. (Photo by Stringer/Anadolu Agency via Getty Images)

RIO — Com o avançar no números de casos de infecção pelo novo coronavírus — e principalmente de mortes — cientistas de várias partes do mundo buscam encontrar um remédio que seja eficiente no tratamento da Covid-19. Para isso, vários medicamentos que já existem e são usados para tratar outras doenças estão sendo testados para combater o vírus Sars-CoV-2.

Abaixo estão listados alguns remédios que se encontram em processos de testes contra o novo coronavírus. O Ministério da Saúde, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não recomendam a automedicação. Portanto, não tome por conta própria nenhum tipo de medicamento na intenção de se tratar ou se prevenir do coronavírus.

Além de aumentar o risco de intoxicação e piora do quadro clínico, a corrida às farmácias pode provocar o desabastecimento e prejudicar o tratamento de pacientes que usam estes remédios contra outras doenças.

cloroquina e a hidroxicloroquina são dois compostos usados no tratamento da malária e de algumas doenças reumáticas que estão sendo testados contra o novo coronavírus. O Ministério da Saúde, inclusive, passou a recomendá-los para o uso hospitalar nos casos graves de Covid-19.

No entanto, seu uso para este fim tem gerado discussões mundo afora porque não há evidência científica suficiente que permita apostar em sua eficácia e segurança no tratamento da nova doença. De acordo com a colunista do GLOBO Natalia Pasternak, microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, todos os estudos divulgados até agora são incompletos e não têm resultados confiáveis, seja contra ou a favor.

De acordo com o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o remédio foi autorizado após umestudo afirmar que a cloroquina conseguiu reduzir o tempo médio de permanência de um paciente grave com o novo coronavírus na UTI.

Nos EUA, onde o remédio também foi indicado para o tratamento de pacientes com coronavírus, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, reforçou que não existem dados suficientes para provar que o medicamento é eficaz contra a Covid-19.

Sabe-se que o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina pode causar efeitos colaterais na saúde dos olhos, por isso, seu uso só deve ser feito sob recomendação médica.

Em busca de alternativas

Enquanto não se confirma se a cloroquina é eficaz ou não no combate ao coronavírus, cientistas testam em laboratórios e em estudos clínicos outras medicações que possam trazer resultados positivos no combate à Covid-19.

Pesquisadores da Fiocruz testaram contra o coronavírus uma droga que tem sido usada há quase duas décadas contra o HIV. O atazanavir mostrou ser capaz de reduzir em até 100 vezes a velocidade de replicação do vírus Sars-CoV-2. O experimento foi feito em cultura de células, ou seja, não foi testado em humanos. Devido ao histórico com a Aids, esse remédio é potencialmente menos tóxico do que, por exemplo, a cloroquina, que também atua sobre a multiplicação do vírus nas células.

A descoberta não significa que o atazanavir poderá ser empregado imediatamente no tratamento de vítimas da Covid-19. Indica, porém, que tem resultados bons o suficiente para que mereça ser testada em estudos maiores. Em tese, ele também pode reduzir a inflamação generalizada associada aos casos mais graves da doença.

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), informou que encontrou dois medicamentos com resultados eficazes contra o coronavírus para testes in vitro. Através de inteligência artificial, biologia computacional, quimioinformática e ensaios com células infectadas, os cientistas chegaram a dois remédios com potencial para compor um coquetel que combateria a doença.

A pesquisa in vitro está em andamento há três semanas e se encontra em fase de testes complementares. Após essa etapa, serão feitos testes em humanos, que ficarão a cargo de outra instituição pertencente à Rede Vírus do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A instituição não quis divulgar os nomes dos compostos para evitar que a população se automedique.

Na Europa, pesquisadores de vários países se uniram para realizar o estudo clínico DiscoveryO objetivo é testar quatro tipos de tratamento contra o novo coronavírus. Cerca de 3.200 pacientes de Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Luxemburgo e Reino Unido participam do estudo. Cada paciente receberá um dos tratamentos e sua evolução será avaliada.

As terapias serão feitas com: remdesivir (antiviral concebido inicialmente para o vírus ebola); lopinavir combinado com o ritonavir (usados no tratamento contra o HIV); lopinavir e ritonavir associado ao interferon-beta (o último remédio é usado no tratamento da esclerose múltipla); ou a hidroxicloroquina.

Já no Japão, cientistas realizam testes para descobrir a eficácia do medicamento favipiravir contra o novo coronavírus. O remédio é usado contra a influenza e impede que os vírus copiem o material genético, dificultando seu processo de reprodução. O remédio apresenta efeitos colaterais importantes como abortos e má-formação fetal e, por isso, não é utilizado em gestantes.

Sangue de pacientes recuperados

Um consórcio formado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês e a Universidade de São Paulo (USP) começará a realizar testes clínicos para uso do sangue de pacientes que já se recuperaram do coronavírus em doentes graves da doença. São estudos ainda incipientes e em fase inicial em outros países, mas espera-se que o plasma (parte líquida do sangue, carregada de anticorpos e proteínas) de pessoas curadas possa ajudar a reduzir a gravidade em hospitalizados e acelerar o combate à infecção.

O hematologista Nelson Spector, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), prevê que os primeiros resultados de testes com plasma de pacientes da Covid-19 saiam em 2 meses.

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