Itália dá início à reabertura de lojas após estabilização dos casos de Covid-19

 Itália dá início à reabertura de lojas após estabilização dos casos de Covid-19

ROMA  — Com a desaceleração dos casos de Covid-19, a Itália deu início, nesta terça-feira, à reabertura de um número limitado de lojas. Semelhante à de outros países do bloco europeu, a retomada lenta, gradual e controlada das medidas de isolamento busca mitigar os já imensos prejuízos econômicos causados pela pandemia, mas evitando que um retorno brusco à normalidade volte a acelerar a transmissão do novo coronavírus.

Com o maior número de mortes no continente, mais de 20 mil, e quase 160 mil casos diagnosticados, a Itália foi o primeiro país europeu a impor um confinamento total, ainda no dia 9 de março  — algo que se refletiu na desaceleração do contágio no início de abril. Na última sexta, o governo anunciou a prorrogação da quarentena até 3 de maio, destacando que as medidas implementadas nesta terça são uma etapa intermediária antes do relaxamento gradual das regras.

A partir desta terça, livrarias, papelarias e lojas de roupas infantis e para bebês poderão reabrir suas portas pela primeira vez em cinco semanas. A lista de setores produtivos que poderão funcionar também foi estendida para englobar a silvicultura, atividades de paisagismo, indústrias de fabricação de computadores e obras hidráulicas.

As lojas que decidirem abrir suas portas deverão respeitar as regras de distanciamento social, manter a ventilação natural, limpar suas dependências duas vezes ao dia e adotar horários escalonados de trabalho. Ao lado de teclado e máquinas de pagamento, deverá haver desinfetantes. O uso de máscaras em ambientes fechados também está previsto, além do uso de luvas na venda de alimentos e bebidas. Também está permitido que empresas transportem suas mercadorias estocadas e que seus funcionários de limpeza, manutenção, vigilância ou gerenciamento de pagamentos acessem as instalações das companhia.

Algumas regiões, no entanto, impuseram suas próprias restrições: a Lombardia, a mais afetada pela Covid-19 com 60 mil casos, decidiu não permitir a reabertura de livrarias e papelarias, tal qual Piemonte, onde os doentes passam de 17 mil. Já a Emília-Romanha, onde os diagnósticos são mais de 20 mil, decidiu não abrir papelarias, livrarias ou lojas de roupas infantis em algumas de suas províncias mais afetadas.

Cautela

Epidemiologistas temem que uma retomada da normalidade, mesmo com o controle dos casos, seja estopim para uma nova onda da doença, algo comum em pandemias virais. Ao mesmo tempo, o profundo impacto econômico que a Covid-19 já causou – segundo o Fundo Monetário Internacional, esta deverá ser a maior recessão desde 1929 – vem forçando os países a retomar parte de suas atividades.

Nação mais afetada pela doença na Europa, a Espanha permitiu a retomada de algumas atividades laborais e industriais, enquanto a Dinamarca reabriu as escolas para crianças pequenas. A Polônia começará a levantar suas restrições a partir do dia 19, provavelmente com a abertura de algumas lojas, algo que a Áustria, país que foi ágil ao implementar suas medidas de distanciamento social e conseguiu conter bem a Covid-19, começou a fazer já nesta terça. Lá, o uso de máscaras em mercados e farmácias é compulsório.

França, por sua vez, anunciou a prorrogação da quarentena até o dia 11 de maio. Segundo o presidente Emmanuel Macron, as restrições atualmente em vigor desaceleraram o vírus, mas ainda não o derrotaram. Tom similar foi adotado pela Alemanha, que afirmou ainda ser cedo para falar de uma tendência clara de queda, apesar da estabilização.

A Comissão Europeia vem fazendo apelos para que seus países-membros tomem medidas coordenadas e gradativas para retomar suas atividades econômicas, mas um documento interno do órgão ao qual a BBC teve acesso mostra que mesmo assim “será inevitável ver um aumento correspondente dos casos”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, não será possível baixar a guarda até que uma vacina “eficaz e segura” seja desenvolvida – algo que, na melhor das hipóteses, pode levar até 12 meses.

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