Equoterapia contribui para melhoria do desenvolvimento motor e emocional de alunos da rede municipal em VG

 Equoterapia contribui para melhoria do desenvolvimento motor e emocional de alunos da rede municipal em VG

Melhorar o desenvolvimento motor, mental e emocional de crianças com deficiência, proporcionando melhor qualidade de vida a elas. Este é o objetivo da equoterapia e fisioterapia, tratamento oferecido pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel) a 250 alunos da rede municipal de Várzea Grande. Os atendimentos são realizados em duas instituições parceiras da Smecel, o Centro de Equoterapia Nativo e o Centro Equestre de Várzea Grande. As atividades de 2021 foram retomadas na semana passada.

A coordenadora-geral do Centro Municipal de Atendimento e Apoio à Inclusão João Ribeiro Filho, Benedita Loadir Leite, explica que os alunos são encaminhados pelas unidades escolares para o centro municipal com indicação médica (laudos) para a equoterapia. Quando não tem indicação médica e possuem alguma queixa, a avaliação é feita pela equipe multiprofissional e, posteriormente, sendo deferido, encaminhado para o atendimento na equoterapia e fisioterapia.

A equoterapia é indicada no tratamento dos mais diversos tipos de comprometimentos motores, como paralisia cerebral, problemas neurológicos, ortopédicos, posturais, comprometimentos mentais, como a síndrome de down, distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia, psicoses, comprometimentos emocionais, deficiência visual e auditiva. É indicada ainda no caso de problemas escolares, tais como distúrbio de atenção, percepção, linguagem e hiperatividade.

Além da terapia realizada junto aos cavalos, as crianças e adolescentes da rede municipal contam com atendimento realizado por uma equipe multiprofissional composta por fisioterapeuta, psicólogo, equitador e auxiliar de pista. Cada aluno é atendido uma vez por semana. “Vale ressaltar que o atendimento da equoterapia é rotativo, de acordo com a evolução do aluno, ele recebe alta do atendimento e, automaticamente, vai chamando o próximo, conforme a lista de espera. A Smecel é responsável pelo transporte escolar até o local”, explica Benedita Loadir.

Segundo a presidente do Centro Nativo, Sirlei Farias Silva, a instituição existe desde 2011 e foi criada a partir da necessidade de ajudar outras crianças, que assim como o filho dela, hoje com 20 anos de idade, precisam de cuidados e tratamentos especiais por conta das deficiências. O filho tem paralisia cerebral e faz equoterapia desde um ano de idade e foi a partir da evolução dele com o tratamento que ela decidiu transformar o espaço de lazer da família em um centro filantrópico para ajudar outras crianças. “A equoterapia ajudou e ajuda muito o meu filho, dando resultados concretos. Nós sabemos da importância dela para as crianças, mas é um tratamento muito caro e são poucos os pais que podem pagar por isso. Felizmente conseguimos fazer a parceria com a Prefeitura de Várzea Grande, que tem esse cuidado e esse olhar para as crianças especiais”.

A fisioterapeuta do Centro Nativo, Luciele Cristina, explica que a pisadura do cavalo é tridimensional, o que provoca estímulos no cérebro da criança, trabalhando o equilíbrio e a coordenação motora, estimulando a visão, o olfato, o paladar, a socialização, atenção e concentração. As sessões se dividem em 30 minutos na fisioterapia e mais 30 minutos no cavalo. “Antes de ir para o cavalo, as crianças passam pela sala de trauma-ortopedia, onde tem os aparelhos que dão força e ajudam no relaxamento muscular. Dessa forma, quando chegam ao cavalo estão mais aquecidas e a evolução será bem melhor”, explica Luciele Cristina.

A psicóloga Patrícia Mara Correia de Almeida ressalta que é trabalhado também a socialização, autoestima e autoconfiança da criança. “Conversamos com ela, perguntando o seu nome e, ao se identificar, a criança vai sendo estimulada a se socializar e se conhecer melhor. Além disso, toda brincadeira tem uma finalidade, estimulamos ela o tempo todo”.

Vânia Alessandra Barbosa é mãe do Samuel Barbosa, 12 anos, que tem paralisia cerebral e é aluno da Escola Municipal Benedita Bernardina Curvo. Ele faz as aulas de equoterapia desde os 2 anos de idade. “O diagnóstico do Samuel era vegetativo, ele era igual uma gelatina, não tinha controle de nada, mas com a equoterapia, ele se desenvolveu muito. Hoje ele já engatinha e o seu desenvolvimento cerebral também foi muito grande”, ressalta a mãe.

Outro aluno que também recebe tratamento com a equoterapia é Murilo Lacerda Gomes, 6 anos, da Escola Municipal Eunice Cesar de Mello. Ele tem Transtorno do Déficit de Atenção (TDH) e esquizofrenia. A mãe dele, Maria Izaíres Lacerda, diz que em apenas algumas sessões do tratamento já percebeu a melhora no filho. “Ele sempre foi muito agitado, não conseguia se concentrar e prestar atenção nas coisas. Mas percebi que ele já fica sentado por um bom tempo e se concentra em algo, até assiste televisão, coisa que não fazia antes. Estou muito feliz por conseguir esse tratamento para ele gratuitamente, porque não teria condições de pagar”.

Loriane Cristina de Souza Carvalho também é mãe de uma criança especial, que tem paralisia cerebral e microcefalia. A filha Alana, de 3 anos, é aluna do Cmei Nossa Senhora da Guia, e foi por meio da unidade de ensino que ela descobriu a equoterapia. “A partir do momento que ela passou a fazer esse tratamento, já teve uma pequena evolução na coordenação motora. Tenho a expectativa que com esse tratamento ela poderá sentar, andar e até mesmo vir a comer sozinha. Quero dar uma qualidade de vida melhor para ela”.

Pioneiro em Mato Grosso no tratamento com a equoterapia, o Centro Equestre de Várzea Grande funciona há 30 anos. O diretor-presidente, José Eduardo Matos Ribeiro, ressalta que ao longo desses anos presenciou o quanto a equoterapia é importante na vida das pessoas com deficiência. “Ela traz grandes benefícios, além de fazer o bem psicológico, também faz o bem motor e social, ou seja, ela é completa”, ressalta José Eduardo, lembrando do caso de uma garota de 17 anos e que há 15 faz o tratamento com a equoterapia. “Até hoje ela tem benefícios com o tratamento e conquista melhoras”.

Segundo a coordenadora da instituição, Onésia Paes de Barros, diariamente passam pelo centro, para fazer as sessões, cerca de 20 crianças, encaminhadas pelas escolas. “Para fazer o tratamento, as crianças precisam do laudo médico e encaminhamento feito pelo Centro João Ribeiro. São selecionadas crianças que realmente precisam do tratamento”.

Paula Vilas Boas Ferrarezi, fisioterapeuta do Centro Equestre, explica que o trabalho da fisioterapia e da equoterapia é feito em conjunto, trazendo muitos benefícios para a criança. “A gente percebe que quando ela fica um tempo sem fazer o tratamento, acaba adquirindo atrofia, contraturas e até pneumonia, no caso da falta da fisioterapia respiratória. A equoterapia vai melhorar a vida dela como um todo, resultando em uma melhor qualidade de vida”.

A fisioterapeuta explica que o público-alvo do Centro Equestre são crianças de 0 a 6 anos de idade, a maioria delas  com paralisia cerebral, síndrome de down, transtorno do espectro autista ou com alguma síndrome ainda desconhecida. ”O tratamento é feito de acordo com a patologia de cada uma e é nessa idade que elas precisam ser mais estimuladas, pois vamos ter melhores respostas”, acrescenta. (Com Assessoria)

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