Após ser alvo de denúncia, Flávio Bolsonaro segue sob investigação do MP

 Após ser alvo de denúncia, Flávio Bolsonaro segue sob investigação do MP

(Foto: Leo Martins/Agência O Globo)

A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça fluminense – acusando o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) de peculatolavagem de dinheiro e organização criminosa – não encerrou completamente a etapa de investigação do caso. Ainda existe a possibilidade de o MP apresentar novas denúncias no futuro.

Ao formular o texto da denúncia, os procuradores decidiram desmembrar duas partes da apuração. Na parte dos assessores, o chamado “núcleo Resende” ainda permanece em investigação. Ele inclui dez pessoas que são familiares de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do presidente Jair Bolsonaro. Entre eles, há aposentados, um veterinário e uma fisiculturista.

Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro Foto: Custódio Coimbra / Agência O GloboAna Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

Todos sempre moraram em Resende, no Sul do Rio, e não deixam nenhuma evidência de que algum dia assessoram, de fato, Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Nos primeiros dias de outubro, os integrantes do núcleo foram chamados pelo MP para prestar depoimento por videoconferência.

Alguns alegaram problemas de saúde e não atenderam a convocação, outros pediram direito ao silêncio. Todos foram alvo de busca e apreensão em dezembro do ano passado e o conteúdo obtido ainda não é conhecido.

O que os investigadores informaram ao TJ, na ocasião, é que verificaram que o grupo sacou mais de R$ 4 milhões, o que representava 83%, em média, dos salários.

Além disso, em setembro, o jornal O Globo revelou que nos dados da quebra de sigilo bancário de oito deles era possível verificar o hábito de sacar várias vezes R$ 500 das respectivas contas, sempre próximo às datas de pagamento.

Mais de 4 mil saques foram feitos nesse padrão entre 2007 e 2018. Esses saques, todos no mesmo valor, somaram um total de R$ 2,1 milhões. É sobre esses dados e fatos que pode vir uma outra denúncia. A defesa do grupo, exercida pelo advogado Magnum Cardoso, sempre negou irregularidades.

Flávio Bolsonaro em sua loja da Kopenhagen Foto: Reprodução FacebookFlávio Bolsonaro em sua loja da Kopenhagen Foto: Reprodução Facebook

Ainda ficou de fora nesse momento uma eventual denúncia sobre lavagem de dinheiro envolvendo a loja de chocolates do senador com o sócio Alexandre Santini. Ele foi apresentado pelo MP nas medidas cautelares como “laranja” porque o capital social da empresa foi bancado com transferências feitas por Fernanda Bolsonaro.

Pouco depois, a divisão dos lucros da empresa favoreceu mais a Flávio do que a Santini, recuperando o investimento que antes tinha sido feito só pela mulher do senador que sequer é sócia da empresa. Santini sempre negou a acusação

Outro ponto considerado suspeito pelo MP é que um cruzamento dos dados entre os créditos declarados pela loja com o faturamento auditado pelo shopping onde ela funciona verificou uma diferença de R$ 1,6 milhão entre 2015 e 2018.

Ao mesmo tempo, a própria loja informou que teve uma entrada de valores em dinheiro vivo no seu caixa em um total de R$ 1,7 milhão, cerca de 37% do total arrecadado pela franquia. Para o MP, essa diferença entre o total auditado e o declarado é a soma desviada por meio do esquema das rachadinhas da Alerj e inserido na loja ilegalmente.

(Época: Juliana Dal Piva)
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