Brasil passa pela maior crise sanitária e hospitalar da história, diz Fiocruz

 Brasil passa pela maior crise sanitária e hospitalar da história, diz Fiocruz

(Foto: Silvio Avila/AFP)

O Brasil passa pela maior crise sanitária e hospitalar da história, segundo a Fiocruz. Com exceção de Roraima, todos os estados estão classificados como Zona de Alerta Crítico em relação à ocupação de leitos de UTI para Covid no SUS.

O Rio Grande do Sul sofre com o colapso nas UPAs e nos hospitais. O motorista Samuel Pereira Machado levou nesta quarta-feira (17) três parentes com sintomas de Covid para uma emergência.

“Nós já estamos com familiar aqui já intubado e agora estamos chegando com outras pessoas. É o que a gente está vivendo. Só Deus, só Deus”, disse.

Quando surge uma vaga é numa cadeira, no corredor, e ali mesmo os pacientes recebem oxigênio. É preciso improvisar, porque os recursos disponíveis já se esgotaram.

O desespero que mobiliza equipes médicas em todas as regiões do país era previsível e evitável, na opinião do médico sanitarista e ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão.

“O governo federal rejeitou a ciência, rejeitou a saúde pública, brigou contra as evidências. Nós nunca tivemos uma política de comunicação pesada, orientando, esclarecendo, mobilizando. E o resultado macabro e dramático é essa crise humanitária que nós vivemos hoje”, comentou José Gomes.

Os sinais da contaminação descontrolada eram visíveis em fevereiro. Pela primeira vez desde o começo da pandemia, nenhum estado ficou com nível baixo de ocupação das UTIs.

Março começou com o vermelho do nível crítico dominando o país. Na semana passada, São Paulo entrou no alerta vermelho, registrado em mais 18 estados e no Distrito Federal.

Agora, 26 unidades da federação aparecem em vermelho, com mais de 80% das vagas de UTI ocupadas. Somente Roraima está na fase amarela.

Os hospitais de Campo Grande estão superlotados. Doentes, como o Paulo Salomão, de 40 anos, pioram nas UPAs, esperando por vagas de terapia intensiva.

“Ele precisou ser intubado. A gente está desesperando querendo de todas as formas conseguir uma vaga de UTI para ele num hospital”, lamentou o genro de Paulo, José Vicente Neto.

Mato Grosso do Sul está entre os 14 estados que têm UTIs com 90% de ocupação ou mais. O Distrito Federal está na mesma situação. Essa falta de vagas se repete em 19 capitais.

No Rio, 95% das vagas de UTI do SUS estão ocupadas. Seu Edmar, de 55 anos, precisa de um leito. A família tenta a transferência desde domingo (14).

“Ele está com a saturação muito baixa o pulmão muito comprometido. Ele teve que ir para a sala vermelha. Teve que ser intubado. Ele precisa de uma segunda chance pelo amor de Deus”.

Quatro hospitais de Manaus colocaram leitos à disposição de pacientes de outros estados; 5 doentes de Rondônia já foram transferidos. No auge da crise no Amazonas, há cerca de dois meses, doentes morreram sem oxigênio e mais de 500 pessoas foram transferidas para 17 estados.

Os pesquisadores da Fiocruz que participam deste estudo concluem que será difícil aumentar o número de leitos de UTI, principalmente por causa do esgotamento dos profissionais de saúde e da falta de mais equipes médicas para reforçar o atendimento. Eles apontam a necessidade urgente de reduzir a circulação de pessoas.

“Este é o momento que chegou para pelo menos 19 capitais. A situação é extremamente crítica e a gente deve avançar para medidas mais rigorosas com certeza”, afirmou Carlos Machado de Freitas, coordenador do Observatório da Covid da Fiocruz.

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