A chave para se ter uma boa vida

 A chave para se ter uma boa vida

Há médicos, advogados, professores, jornalistas, publicitários, políticos, delegados de polícia, escrivães, agentes, juízes, promotores de justiça, procuradores de justiça, desembargadores, servidores públicos, empresários, banqueiros e bancários, estudantes de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado, muitas pessoas ricas ou poderosas, mas miseráveis e escravas de si mesmas, conforme observa Augusto Cury.

Vivem tristes e depressivos. Por que será? Tem tudo que sonharam, mas quando conquistaram, chegaram ao topo, parece faltar-lhes alguma coisa.

Sempre estão à procura da felicidade, como se isso fosse algo inatingível.

Mas há pessoas muito humildes, pobres economicamente, mas cheias de ânimo, vida e alegria.

Há algum segredo para a felicidade?

Isso me fez lembrar da conversa de Cleomar e Jefferson e seu irmão, que atentamente presenciei naquela madrugada de clima agradável em Barra do Garças. O irmão de Jefferson foi o primeiro a dizer:

“-Tudo começa pela mente. Você pode ser escravo de seus pensamentos ou ser livre para autossugestioná-la mantendo a direção sob controle. Do pensamento vem a emoção, gerando uma ação, repetidos comportamentos transformam-se em hábito, que mostra o caráter e dita o destino. A opção é sempre sua”.

Foi aí que Jefferson questionou:

“-Uns dizem que começa pelos sentidos. Falam ainda que são as sensações que escravizam”.

O irmão dele ponderou:

“- Esses que você fala Jefferson, são os empiristas. Eu estava falando dos racionalistas!”

Cleomar intrometeu-se na conversa:

“- Será que o conhecimento é preexistente na mente ou a mente é um quadro em branco que depende dos sentidos para conhecer? Ou será que é uma combinação de ambos: mente e sentidos?”

Ao responder, o irmão de Jefferson alongou ainda mais o questionamento lançado por Cleomar:

“- Ah tá, mas é exatamente isso que estamos debatendo. Do pensamento que começa tudo? Ou a gente primeiro sente (pelos cinco sentidos) e depois representa uma imagem (na mente) gerando uma emoção, que não seria criação já existente, mas sinapses que transformam as imagens captadas pelos sentidos, gerando a emoção, seguidas de ação (movimento corporal)? Ou seja, primeiro a gente sente (pelos sentidos), produz daí mentalmente uma imagem, gerando uma emoção que faz o corpo agir, como diz o Jefferson?”

Daí Jefferson emendou:

“- Será que tudo começa com um pensamento preexistente ou criado na mente pelo pensamento repetitivo (controle da mente, autossugestão) que faz nascer a emoção e depois disso a ação conforme a representação mental preexistente ou criada pelo pensamento repetitivo?”

Cleomar captou:

“-Se tudo nascer da representação do pensamento repetitivo, estaria aí a chave do controle mental para se viver uma boa vida com paz e felicidade?”

Jefferson interveio:

“Talvez a autossugestão dependa somente da mente. Mas a hétero-sugestão sempre dependerá dos sentidos, no caso pode ser tanto a visão quanto a audição. Não?”

Já era tarde, o dia já amanhecia, então o irmão do Jefferson finalizou:

“-Não sei. Acho que nós aqui não sabemos. Mas não importa. São as perguntas que movem o mundo, e não as respostas. Todavia, quem compreender tudo isso terá a chave para viver uma boa vida, pois poderá controlar sua mente por autossugestão e criará escudos para não cair nas armadilhas sugeridas por terceiros, lembrando sempre que a felicidade está no ser, e não no ter ou aparecer”.

Arnaldo Justino da Silva é promotor de Justiça em Mato Grosso

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