Cuiabá, ex-Cidade Verde?

 Cuiabá, ex-Cidade Verde?

(Foto: divulgação)

Cuiabá sempre foi um lugar de clima quente, mas antigamente o verde presente em profusão na cidade contribuía para amenizar a característica natural de suas altas temperaturas, o que a fez receber a denominação de “Cidade Verde”. Por aqui não faltavam o som do encontro das folhas com o vento e o conforto advindo do movimento das ondas verdes das árvores de Cuiabá.

Lamentavelmente, parte de todo esse verde foi perdida ao longo de sua história, e em 2013, de modo significativo, a capital de Mato Grosso foi extremamente maltratada, agredida pelos descaminhos e desvios das obras da Copa do Mundo de Futebol 2014, como se sofrera um bombardeio…

As obras realizadas para a referida Copa retiraram cerca de três mil árvores do solo cuiabano, dos canteiros de suas ruas e avenidas para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e Várzea Grande. Foram simplesmente descartadas por um VLT-fantasma, uma vez que não foi implantado até a data de hoje.

Assim, ficamos sem o VLT, planejado para a melhoria dos transportes urbanos na capital de Mato Grosso, e amargamos a falta de mais de três mil árvores de várias espécies, que davam refrescantes sombras aos passantes, pouso e alimento aos pássaros, além de adornarem a nossa cidade e reduzirem sobremaneira o efeito das ilhas de calor. Derrubaram belos flamboyants, ipês brancos, rosas, amarelos, pingos-de-ouro, frondosas mangueiras, sete-copas, patas-de-vaca e tantas outras variedades.

Como doeu o coração ver árvores tão antigas, que às vezes guardavam histórias de mais de uma geração de cuiabanos, tombadas no chão como se não tivessem nenhuma importância para a cidade e os seus habitantes!

Triste realidade da inversão de aplicação de recursos públicos, que deveriam servir para melhorar a vida da população e foram utilizados, no final de tudo, para a destruição de parte de bens materiais e imateriais da nossa cidade.

Atualmente, o clima de Cuiabá está se tornando mais e mais inóspito, sobretudo, na época da seca, em função da degradação ambiental em seu entorno e dentro do próprio perímetro urbano. Idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde, como asma e bronquite, costumam perecer nessa estação, que se tem tornado cada vez mais seca e árdua. E, naturalmente, aqueles que mais sofrem esses efeitos nocivos à saúde pertencem às classes sociais menos favorecidas.

As previsões climáticas para Cuiabá nos próximos 20 anos são bastante preocupantes. Caso persistam condições que contribuam para elevar ainda mais a temperatura da cidade, que nos últimos anos já costuma chegar até 47 graus, Cuiabá poderá se tornar inabitável aos seres humanos, alertam os estudiosos do clima.

Por que não nos inspirarmos, por exemplo, no trabalho virtuoso e vitorioso do Instituto Terra, fundado pelo casal Lélia DeluizWanik Salgado e Sebastião Salgado? Áreas degradadas foram recuperadas, nascentes voltaram a jorrar e o verde da renovação – e por que não dizer da ressurreição? – se fez presente novamente no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

Queremos mais árvores na capital de Mato Grosso, contemplar o voo de mais pássaros verdes em direção ao nosso céu quase sempre azul, que resplandece a luz do sol, ver a presença do verde da ressurreição se intensificar nas nossas ruas e avenidas e trazer de volta o jorrar de nascentes soterradas pela degradação ambiental. Queremos cantar juntos com Gilberto Gil a canção “Refloresta”:

[…] Manter em pé o que resta não basta

Já quase todo o verde se foi

Agora é hora de ser refloresta

Que o coração não destrói.

Por amor a esta terra-Mãe e ao povo que nela habita, cuja característica primordial é a sua calorosa hospitalidade, salvemos a nossa Cuiabá e a saudemos hoje e sempre: que resplandeça como “joia verde” infinitamente no coração do Centro-Oeste do Brasil!

Enildes Corrêa é administradora, terapeuta, professora de Yoga e orientadora de meditação com formação na Índia.

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