Reforma administrativa: um engodo para inglês ver

 Reforma administrativa: um engodo para inglês ver

Dias atrás, em um Podcast ao vivo, me perguntaram o que eu achava da reforma administrativa. Obviamente que sou a favor, mas não da forma como está sendo proposta, foi minha resposta.

Prezados amigos, nós servidores públicos somos mal vistos pela sociedade. E a culpa é sim nossa. Precisamos mudar muitas coisas. Por exemplo, quem não produz a contento tem que dar lugar a outros que querem produzir para a sociedade. E isso hoje não acontece. Nenhum servidor público é demitido por falta de produtividade. Só por cometimento de crimes graves. Isso, a meu ver, tem que ser mudado. Pois os que são comprometidos – e somos muitos – acabam trabalhando pelos que não são.

Porém, a reforma administrativa não atingirá os superservidores do Ministério Público e do Judiciário. Somente eles conseguem ganhar acima do teto constitucional de R$ 39.000,00, por meio das corruptas leis que permitem adicionais de toda ordem: auxílio alimentação, auxílio creche, auxílio estudo, auxílio médico (chamado de auxílio Covid), auxílio moradia (pago até meses atrás), adicional por responder pelo eleitoral, por responder por mais de uma cidade e, pasmem, se já não estão, duas férias anuais, além do recesso judiciário, quando seus interesses – de você cidadão – não andam.

Sabem por que tudo isso? Para driblar o limite constitucional de R$ 39.000,00 mensal. Alguns chegam a receber mais de R$ 300.000,00 nos finais de ano. Vendem uma ou mais férias que tinham direito e dividem, de forma velada, os restos dos duodécimos que você, contribuinte, paga.

A corrupção desses dois setores é clara: eles criam leis em proveito próprio, e isso é sim corrupção.

Quando algum de seus membros entende que não lhe foi pago algo que acha que tem direito, recebe com um mero pedido administrativo. Você, contribuinte, e nós servidores do executivo, só conseguimos nossos direitos por meio de longos processos judiciais. O que acham?

Fico me perguntando: um gari, que trabalha em ambiente insalubre, embaixo do sol forte de Cuiabá, não mereceria mais ter duas férias por ano do que esses superservidores dessas instituições imorais? Você trabalhador que ganha salário mínimo não mereceria auxílio-creche mais do que esses superservidores dessas instituições imorais? Um professor não mereceria mais um auxílio-estudo do que esses superservidores dessas instituições imorais?

Quanto às duas férias anuais, faço uma comparação irônica: o ar-condicionado das luxuosas salas desses superservidores dessas instituições imorais resseca mais os cérebros deles do que o forte sol nos cérebros dos nossos servidores da limpeza pública e dos trabalhadores da secretaria de obras?

Então, nobres, sou totalmente contra a reforma administrativa se ela não atingir esses superservidores dessas instituições imorais. E peço que vocês me auxiliem numa uníssona voz para que isso os atinjam.

Forte abraço a todos.

 

*Flávio Henrique Stringueta é delegado da Polícia Civil de MT

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Jessica Nunes - Mais Que Fato

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